► Leia 1 Coríntios 15:30-31. O que o apóstolo Paulo quis dizer quando falou que ele enfrentava a morte diariamente?
O contexto nos ajuda a entender que Paulo não estava falando sobre morrer diariamente para o pecado. Quando ele disse morrer diariamente, quis dizer que ele arriscava a sua vida todos os dias pelo bem do evangelho. O versículo 30 diz que ele estava em perigo todo o tempo. Ele diariamente entregou a sua vida aos perigos do seu ministério.
O cristianismo foi fundado por Jesus Cristo, que morreu por Seu testemunho da verdade. Desde o começo, a comunidade cristã teve conflitos com os inimigos da verdade. Algumas vezes, esses conflitos causaram perseguição violenta. Jesus disse que ser S eu seguidor era como levar uma cruz e segui-Lo até a morte (Mateus 16:24). Ele disse que, se nós nos envergonhássemos dEle diante do mundo, Ele iria se envergonhar de nós (Marcos 8:38). Ele disse que o mundo odeia os crentes pela mesma razão que o odiaram (João 15:18).
Jesus disse aos Seus discípulos para esperarem perseguição (Mateus 10:19, 23, Mateus 24:9).
Por causa do inevitável conflito entre os cristãos e o mundo, o apóstolo Paulo disse: “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. (2 Timóteo 3:12).
O apóstolo Pedro disse que os crentes não devem estar surpresos com a perseguição como se fosse uma coisa inesperada (1 Pedro 4:12).
O apóstolo João disse que os crentes não devem ficar surpresos ao serem odiados pelo mundo (1 João 3:13).
Paulo considerou o seu próprio sofrimento pelo evangelho como sendo uma continuação do sofrimento de Cristo (Colossenses 1:24). Cristo sofreu e morreu para prover os meios de salvação; Paulo sofreu para levar o evangelho, e assim, os pecadores poderiam crer e serem salvos.
Um Olhar na História
Os judeus foram os primeiros perseguidores dos cristãos; eles perseguiram especialmente judeus-cristãos (Atos 7, Atos 8:3).
Na primeira geração da igreja, os gentios convertidos em vários países experimentaram perseguições de amigos, familiares e governos locais, porque eles não adoravam os deuses locais.
Em 250 d.C., o imperador romano Décio ordenou a perseguição de qualquer um que não adorasse aos deuses de Roma e ao imperador. A perseguição romana aconteceu em vários lugares e em vários momentos até o ano 313 d.C., nem sempre por todo o império. Os cristãos eram punidos com aprisionamento, perda de propriedade, exílio e, algumas vezes, eram mortos.
Ao longo dos séculos na história da igreja, os cristãos sofreram em muitos lugares. Algumas vezes, a perseguição acontecia porque os cristãos não participavam na adoração de outras religiões. Em outros lugares, os governos exigiam lealdade absoluta e não aceitavam nenhuma religião.
A perseguição e o martírio aumentaram nos tempos modernos. As estatísticas de martírio são difíceis de encontrar, pois guerra e outras violências nem sempre são fáceis de distinguir da perseguição. Estimativas mostram entre 10.000 a 150.000 mártires por ano. Alguns estudiosos estimam que um total de 70 milhões de cristãos morreram por sua fé ao longo da história, incluindo cristãos professos de todas as denominações.[1] A maioria morreu por causa da perseguição do governo; outros milhões morreram por causa da perseguição de outras religiões, principalmente do islamismo. Milhões foram mortos pela Igreja Católica Romana e Igreja Ortodoxa Oriental.
[1]Todd M. Johnson, “Christian Martyrdom: A Global Demographic Assessment,” 2012. Acessado em https://archive.gordonconwell.edu/ockenga/research/documents/TheDemographicsofChristianMartyrdom.pdf 24 de junho de 2020.
O Testemunho Máximo
A palavra grega mártir significa literalmente testemunhar. Ao longo do tempo, a igreja passou a acreditar que o ato máximo de testemunhar era morrer pela fé, portanto, aqueles que morreram perseguidos foram chamados mártires, uma forma pela qual outras testemunhas não foram chamadas.
Os mártires foram considerados heróis da igreja primitiva. O escritor da descrição da morte de Policarpo disse: “Nós nunca podemos abandonar a Cristo... e nunca podemos adorar a qualquer outro... mas nós amamos os mártires como discípulos e imitadores do Senhor”.
Cipriano (200-258 d.C.) disse: “Não existe bênção maior do que morrer como um mártir; confessar Jesus, na própria morte, diante dos executores”. O próprio Cipriano sofreu o martírio.
[1]Algumas vezes, um crente entendeu de antemão que Deus o escolheu para ser um mártir. Frequentemente, a revelação foi um momento de transformação, paz interior e exaltação espiritual.
Os bispos Latimer e Ridley foram queimados na Inglaterra em 1555 por pregar o evangelho. Enquanto esperavam pelo julgamento, lamentaram quando eles ouviram sobre pessoas desistindo da sua fé. Quando eles ouviram sobre uma pessoa sendo executada por sua fé, eles consideraram aquele evento uma vitória para o evangelho. Um historiador escreve que antes de serem queimados, Latimer disse: “Tenha bom ânimo, mestre Ridley, tenha coragem, pois hoje, pela graça de Deus, ascenderemos uma vela na Inglaterra que jamais será apagada”.[2]
A Bíblia nos diz que Estevão estava com o rosto como de um anjo em seu julgamento (Atos 6:15). Ao longo da história, existiram inúmeros casos de pessoas que enfrentaram tortura com tanta coragem e alegria, que os observadores se converteram. Alguns daqueles que sofreram por Cristo disseram que eles sentiram tanto a presença de Deus durante o tormento que eles estavam relutantes em que terminasse.
Muitos crentes que sofreram contaram sobre sonhos, visões e experiências da presença de Cristo e do Espírito Santo.
Justino Mártir (100-165 d.C.), que escreveu em defesa do cristianismo e então morreu como um mártir, disse isto sobre a efetividade do testemunho de um mártir: “Agora é evidente que ninguém pode aterrorizar ou subjugar a nós que acreditamos em Jesus por todo o mundo. Pois é claro que, embora decapitados, e crucificados, e jogados às feras selvagens, e correntes, e fogo, e todos os tipos de tortura, não desistimos da nossa confissão; mas quanto mais essas coisas acontecem, mais outros em um grande número se tornam fiéis e adoradores de Deus, através do nome de Jesus Cristo”.[3]
Tertuliano (aproximadamente 150-230 d.C.) disse: “Quanto mais frequentemente somos ceifados por vocês, mais em número crescemos; o sangue dos cristãos é semente”.[4] Esta declaração é frequentemente citada como: “O sangue dos mártires é a semente da igreja”.
► A perseguição sempre ajuda o crescimento da igreja ou também impede a propagação do evangelho?
Jizia é uma taxa que muitas nações muçulmanas coletaram das pessoas em nações que não eram muçulmanas ao longo da história. A ideia da taxa está no Alcorão. A taxa simbolizava que as pessoas não muçulmanas não pertenciam realmente a nação e tinham que pagar pelo privilégio de viver lá.
► Na sua opinião, qual seria o efeito da jizia no evangelismo?
Por séculos, Alexandria no Egito foi o centro intelectual do cristianismo oriental. A cidade de Atanásio foi uma das maiores defensoras da verdade cristã da antiguidade.
Um exército muçulmano de Meca invadiu o norte da África em 639 d.C. Depois eles fundaram a cidade de Cairo no Egito. Foi exigido que os cristãos pagassem altas taxas, e eles não poderiam ter cargos no governo, mas não foram mortos. Por algumas gerações, a porcentagem de cristãos no Egito foi pequena.
► O que essa história nos diz sobre os possíveis efeitos negativos da perseguição?
► A perseguição beneficia a igreja de alguma outra forma, além de possivelmente causar mais conversões?
Muitos dos antigos pais da igreja escreveram que a perseguição tem o efeito de purificar a igreja. Quando a membresia da igreja traz benefícios materiais e status na sociedade, uma pessoa pode ter os motivos errados para se juntar à igreja. Quando a igreja é perseguida, as pessoas se juntam por causa das prioridades espirituais.
Marvin Newell fez estas observações sobre o impacto do martírio em outros crentes: “Ele [o martírio] faz com que a maioria pare e reflita novamente sobre o custo extremo do discipulado. Ele força muitos a questionarem se eles mesmos estão à altura do maior padrão de devoção a Cristo e a Sua causa. Ele ainda motiva outros a abandonarem planos egoístas e ambições e se voltarem para servir a Cristo em lugares duros e difíceis. Ele cria uma linha-base para a igreja por onde mede o seu valor – se as suas atividades são significativas e verdadeiramente importantes à luz da eternidade”.[5]
“Desde o início a igreja primitiva foi perseguida, primeiro pelos judeus, e então pelos gregos, depois pelos romanos, e depois pelas hordas de bárbaros. No período moderno, os cristãos de várias tradições continuam sendo perseguidos, os cristãos armênios pelos turcos, os cristãos ortodoxos pelos stalinistas, os evangélicos por Castro, os católicos pelo genocídio de Pol Pot, e ambos judeus e cristãos pelos nazistas. Infelizmente, a lista continua, e parece continuar sem fim entre as minorias cristãs na Etiópia, Moçambique, África do Sul, Coreia do Norte, Irã, Nepal e Myanmar.”
- Thomas Oden, Life in the Spirit
[2]John Foxe, O Livro dos Mártires, Editora Principis, 2020.
[3]Justin Martyr, Dialogue with Trypho, Chapter 110
[5]Marvin Newell, “The Missionary Martyr: What We Learn from Those Who Gave Their Lives for the Cause of Christ.” Acessado em https://missionexus.org/the-missionary-martyr-what-we-learn/#myaccount 24 de junho de 2020.
Ética do Martírio
► O que você pensaria de uma pessoa que propositalmente tenta ser morta como um mártir? Por quê?
A igreja admirava os mártires. Algumas pessoas queriam ser mártires e propositalmente tentavam ser mortas. A igreja não aprovava uma pessoa que busca o martírio. Se uma pessoa não foi escolhida por Deus para ser um mártir, ela poderá não ter a força de Deus para manter a sua fé.[1] Ainda, uma pessoa que provocou perseguições para morrer traria perigo aos outros.
[2]Jesus disse a seus discípulos: “Quando forem perseguidos num lugar, fujam para outro” (Mateus 10:23). Essa ordem nos diz que é correto evitar a perseguição.
A igreja acreditava que o martírio deveria ser similar à morte de Cristo. Cristo não tentou fazer com que fosse morto, mas foi traído. Da mesma forma, os cristãos não devem provocar outros intencionalmente para que os matem. Eles irão ser perseguidos pelo seu testemunho cristão e pela justiça, não por causa de um mal comportamento (1 Pedro 4:13-16, Mateus 5:10-12). Quando crentes são perseguidos ou martirizados, o comportamento deles durante o sofrimento será como o de Cristo.
[1]Veja o caso de Quinto, o frígio dos escritos sobre a morte de Policarpo.
“Eu não estou com raiva de quem fez isso. Eu estou dizendo a ele: Que Deus possa o perdoar, e nós também o perdoamos. Acredite, nós o perdoamos.”
Essas palavras foram ditas pela viúva de Naseem Faheem, depois que seu marido foi morto perto da Catedral de St. Mark’s no Domingo de Ramos em um ataque terrorista
(9 de abril de 2017).
Contexto da Escatologia
Nota para o líder de classe: Peça para o grupo dar alguns exemplos bíblicos do Novo Testamento sobre perseguição. Liste os exemplos em um quadro se estiver disponível. Depois de terem muitos exemplos, ensine o material a seguir.
O Novo Testamento foi escrito para crentes que conheciam a realidade da perseguição. As muitas referências a isso mostram que muitos cristãos haviam experimentado perseguição e sabiam que isso poderia acontecer com eles no futuro.
O livro de Atos descreve muitos eventos de perseguição. Estevão foi apedrejado, e a perseguição dispersou os crentes de Jerusalém. Paulo foi um perseguidor antes da sua conversão.
Em suas epístolas, o apóstolo Paulo algumas vezes mencionou o fato de que ele foi um prisioneiro do Senhor (Efésios 3:1, Efésios 4:1, 2 Timóteo 1:8). Disse que “lutei com feras em Éfeso” (1 Coríntios 15:32) e que arriscou a sua vida constantemente (1 Coríntios 15:31). Timóteo passou um tempo na prisão (Hebreus 13:23).
O apóstolo Pedro disse aos seus leitores para garantirem que nunca fossem culpados de crimes, mas que ficassem felizes se sofressem pela justiça (1 Pedro 3:14).
O escritor de Hebreus disse aos seus leitores para se lembrarem daqueles que estavam presos (Hebreus 13:3).
► Leiam 1 Coríntios 1:8-10 todos juntos.
Os apóstolos pensavam que seriam mortos, mas eles já haviam entregado as suas vidas para Deus, sabendo que no final Ele iria ressuscita-los dos mortos.
Nós podemos imaginar que os crentes no tempo do Novo Testamento frequentemente viram perseguições ou ouviram sobre seus acontecimentos com os crentes em outros lugares. Ser um cristão era viver com a possibilidade (e algumas vezes certeza) de perseguição.
Embora os cristãos esperassem a volta de Jesus, foi dito a eles que esperassem perseguição antes desse evento. As passagens proféticas das Escrituras constantemente lembravam os crentes que a perseguição seria uma realidade nos últimos dias (Mateus 10:17, Mateus 24:9, Lucas 12:11-12, Apocalipse 6:9-11, Apocalipse 12:17, Apocalipse 13:15). Um dos propósitos da escatologia é explicar a soberania de Deus em um mundo onde o Seu povo é perseguido, para que então eles possam manter a sua fé nEle, até que o Seu plano seja finalizado.
Tarefas da Lição 14
1. Tarefa Escrita: A Bíblia nos diz para nos alegrarmos e estarmos felizes quando somos perseguidos (Mateus 5:12), e ainda devemos orar por uma vida tranquila e pacífica (1 Timóteo 2:2). Como você explicaria essa aparente contradição com os princípios desta lição?
2. Tarefa Escrita: De que forma a perseguição ajuda e prejudica a igreja?
3. Estudo da Passagem: Estude 2 Coríntios 4:8-18. Os apóstolos suportaram o sofrimento, seguindo o exemplo de Jesus. Eles puderam suportar, porque experimentaram a força interior e o renovo. Eles estavam dispostos a suportar, porque receberam vida espiritual e ansiavam a glória eterna. Escreva um resumo dessa passagem.
SGC exists to equip rising Christian leaders around the world by providing free, high-quality theological resources. We gladly grant permission for you to print and distribute our courses under these simple guidelines:
No Changes – Course content must not be altered in any way.
No Profit Sales – Printed copies may not be sold for profit.
Free Use for Ministry – Churches, schools, and other training ministries may freely print and distribute copies—even if they charge tuition.
No Unauthorized Translations – Please contact us before translating any course into another language.
All materials remain the copyrighted property of Shepherds Global Classroom. We simply ask that you honor the integrity of the content and mission.