Se Deus é bom e onipotente, por que as pessoas sofrem? Se Deus é justo e onipotente, por que Ele não garante que as pessoas sempre recebam o que merecem?
Muitos ateus dizem que eles não podem acreditar em Deus por causa do sofrimento no mundo. Eles frequentemente têm uma atitude de raiva contra Deus, embora eles digam que não acreditam que Ele existe. Eles escolhem negar a existência de Deus, porque não O aprovam.
O cristão escolhe crer em Deus porque confia nEle, mesmo sem entender todas as Suas ações. O cristão tem um relacionamento com Deus que desenvolve a sua fé. Porém, essa fé é testada em tempos de sofrimento. É comum para um cristão lutar com a pergunta “por que?”
A igreja deve explicar a visão cristã do sofrimento para pessoas que têm raiva de Deus. A igreja deve fornecer uma explicação que também conforta aqueles que querem manter a fé em Deus em um tempo de sofrimento.
Um termo teológico: uma explicação sobre o sofrimento que sustenta a fé em Deus é chamada de teodiceia.
► Qual é o problema do sofrimento? O que é teodiceia?
Como pode um Deus que é bom e onipotente permitir o sofrimento? Uma resposta não-cristã para esse problema é negar que Deus seja completamente bom ou negar que Ele é onipotente.
Muitas pessoas as quais negam que Deus é bom também negam a Sua existência e se tornam ateístas. Elas se recusam a acreditar em Deus por causa da condição do mundo.
Alguns filósofos acreditam em um deus cujo caráter é misturado com o bem e o mal. Eles acreditam que ele é capaz de fazer coisas boas e más. Algumas pessoas que têm essa crença alegam serem cristãs; mas essa não é uma crença cristã.[1]
Algumas pessoas tentam resolver o problema do mal negando o poder absoluto de Deus. Acreditam que Deus tenta tornar o mundo melhor, mas não é bem-sucedido, porque o Seu poder é limitado. Alguns acreditam que Deus está se desenvolvendo. A ideia de que Deus não é perfeito, mas está se desenvolvendo, é chamada de “teologia do processo”. Essa ideia não é bíblica.[2]
Como vimos em nosso estudo do livro de Apocalipse, Deus é santo e onipotente. Ele não está lutando para trazer o Seu reino completo. Ele dá ordens do Seu trono e nada pode impedir a Sua vontade de ser realizada.
Para uma pessoa que nega a bondade ou o poder de Deus, o sofrimento é fácil de se explicar. O sofrimento é um problema difícil para a pessoa que tem a fé cristã. Negar a bondade ou o poder de Deus não é uma opção para o cristão.
► Quais são algumas formas erradas de tentar resolver a questão do sofrimento?
Nós não devemos esperar que a nossa explicação sobre o sofrimento irá remover o desafio da fé.
► Por que é difícil para um incrédulo aceitar uma explicação sobre o sofrimento?
É improvável que um incrédulo veja a vida da perspectiva de Deus. Ele pode pensar que deve ter garantido uma boa vida, se viver corretamente. Ele coloca pouco valor na eternidade e muito valor na vida terrena. Ele coloca pouco valor nas coisas espirituais e muito valor nas coisas materiais. Portanto, encontra dificuldade em aceitar o sofrimento com a perspectiva do eterno e espiritual.
Um crente pode não ser capaz de imaginar como o seu sofrimento poderia ter bons resultados, embora a Bíblia prometa que Deus fará que tudo o que acontecer coopere para o bem.[1] Ele pode lamentar pelo sofrimento dos outros e imaginar por que Deus não intervém. Não existe uma explicação que possa nos fazer sentir confortável com cada caso de sofrimento. O crente tem fé no amor e na justiça de Deus, mesmo sem entender por que Deus não evitou um caso específico de sofrimento.
É prometido a nós que, aqueles que sofrem com Cristo irão reinar com Ele, e que os justos irão brilhar como as estrelas para sempre. É prometido que as pessoas redimidas irão compartilhar o trono de Deus acima do resto da criação, incluindo os anjos, embora não possamos compreender completamente essa promessa. As Escrituras nos dizem que esse presente sofrimento é pequeno em comparação a esse grande privilégio.[2] No propósito de Deus, a importância de nenhum indivíduo redimido será perdida, mesmo se a sua vida na terra pareça insignificante e trágica.
Para os cristãos, a teodiceia é diferente daquilo que é perguntado pelos incrédulos. Os cristãos creem no amor e na providência de Deus. Eles também têm a promessa bíblica de que tudo coopera para o bem do crente. Portanto, a pergunta é: “Como eu posso manter a fé mesmo não entendendo os meios de Deus ou como algumas coisas podem cooperar para o bem?”. O final da discussão já está subentendido. O crente não aborda essa questão com uma mente aberta, no sentido de que todas as suas suposições acerca de Deus pudessem mudar.
A solução final para o sofrimento é a sua abolição. Isso irá finalmente acontecer para os cristãos no estado eterno. No presente, para os crentes, a solução prática não é a remoção do sofrimento, mas a persistência na fé apesar do sofrimento. Esse problema prático é diariamente apontado e ministrado pela igreja. A igreja é a presente solução para o problema do sofrimento.
Os incrédulos tendem a rejeitar a teodiceia, porque eles exigem a satisfação de valores temporais e egocêntricos. As pessoas normalmente não aceitam a teodiceia, até que tenham o desejo de serem reconciliadas com Deus. Uma pessoa que quer ser um crente também quer acreditar em uma teodiceia.
Nós não podemos esperar que somente uma teodiceia irá persuadir uma pessoa a se tornar um cristão (1) porque ela normalmente não irá aceitar a teodiceia até que esteja aberta para o evangelho e (2) porque mesmo se ela acreditar na teodiceia, pode não estar pronta para se arrepender e se converter. Porém, a teodiceia ajuda a obra do evangelho, porque se a pessoa deseja conhecer a Deus, ela estará feliz em ouvir uma explicação que remova a sua objeção a Deus.
► Por que a teodiceia nem sempre persuade uma pessoa a se tornar cristã?
Explicações Parciais
Causas Naturais
Algumas vezes as pessoas tentam explicar o sofrimento com base nas causas naturais. Por exemplo, uma pessoa pode morrer de uma doença em razão de certa bactéria que entrou no seu corpo. Uma família pode passar fome porque uma tempestade destruiu a colheita que eles estavam cultivando.
Essa explicação realmente não explica muita coisa. O problema é que nós sabemos que Deus poderia ter intervindo e, por alguma razão, Ele permitiu que o sofrimento acontecesse.
Essa explicação é útil quando uma pessoa sofre as consequências de escolhas erradas. Por exemplo, se uma pessoa dirige um carro sem cuidado, é mais provável que sofra um acidente. Porém, muitas situações de sofrimento não podem ser explicadas dessa forma.
Responsabilidade Pessoal
Alguns momentos de sofrimento são resultados de uma decisão pessoal: descuido pode causar perigo; maus hábitos alimentares podem causar perda de saúde; e automutilação e suicídio são possíveis. Portanto, qualquer explicação sobre sofrimento não deve ignorar o fato de que as nossas escolhas importam. Porém, tendo em vista que muitas situações são inevitáveis, a responsabilidade pessoal não é a resposta completa para o problema.
O sofrimento neste mundo não é mensurado de forma justa. Não é possível que aqueles que sofrem de alguma forma mereçam tudo o que acontece com eles, enquanto aqueles que desfrutam das coisas boas as mereceram de alguma forma.
A justiça de Deus não significa que todos irão receber o que merecem durante a sua vida terrena.
Benefícios do Sofrimento
O sofrimento pode fortalecer o caráter de uma pessoa, ensinar uma verdade e chamar sua atenção para Deus. Mesmo quando nós não sabemos o propósito da dor, não devemos presumir que ela não realizará nenhum propósito. O propósito pode ser alcançado mesmo sem o nosso entendimento. Porém, isso não resolve inteiramente o problema do sofrimento, especialmente em casos de tragédias em massa. É difícil acreditar que 90.000 pessoas mortas por uma bomba atômica foram todas beneficiadas por morrerem naquele momento, ou que milhões de parentes foram todos beneficiados pelo luto.
E as crianças que morrem? Como elas se beneficiam ao não ter tempo para viver?
O sofrimento tornou algumas pessoas cínicas. O sofrimento fez com que algumas pessoas se tornassem cruéis, e elas causam sofrimento a outros.
É prometido a nós nas Escrituras que todas as coisas cooperam para o bem do cristão. O sofrimento do incrédulo pode não ter bons resultados.
Mesmo para o crente, o benefício que vem do sofrimento pode ser espiritual e eterno, não visível a todos e difícil de imaginar.
Mistério
Nós não podemos explicar completamente por que um caso em particular de sofrimento ocorreu. Também, não podemos esperar que uma pessoa irá se tornar um cristão apenas porque aceita uma explicação sobre o sofrimento. Portanto, a teodiceia tem limitações. Alguns cristãos desistem de qualquer tentativa de responder ao problema do sofrimento.
Porém, a igreja tem uma lista longa de pensadores, começando com o apóstolo Paulo, que abordou as filosofias dos seus dias com a razoabilidade das reivindicações das Escrituras. Se nós falhamos em dar respostas, falhamos em abordar o problema da nossa geração com o evangelho.
A Ordem de Prioridades de Deus
O mundo está em sua condição atual porque saiu do projeto original de Deus. O sofrimento é um resultado do pecado. Nem todo o sofrimento pessoal é resultado do próprio pecado do indivíduo, mas o sofrimento é esperado em um mundo caído em pecado. Se Deus fosse simplesmente terminar com todo o sofrimento sem terminar com o pecado, as implicações dessa ação seriam desastrosas.
Terminar com o sofrimento antes de terminar com o pecado iria indicar que o sofrimento é uma preocupação mais séria que o pecado. Nós sabemos que o pecado é um problema significativo, porque necessitou da expiação e porque o sofrimento é o resultado do pecado, e não vice-versa. Se Deus removesse todo o sofrimento antes de lidar com o pecado, o homem não veria as consequências do pecado e não veria a necessidade de salvação. Isso seria um problema sério, uma vez que o evangelho exige uma resposta volitiva. O mesmo problema iria existir se Deus aliviasse o sofrimento para um grau menor de severidade. O homem já vê o pecado como menos significativo do que deveria; se o sofrimento fosse menor, o pecado seria considerado ainda mais leve.[1] Os atos mais cruéis mostram bem a desesperança da natureza humana caída e separada da salvação.
O fato de que o pecado deve ser tratado primeiro explica a razão pela qual o sofrimento deve continuar no presente. O pecado não pode ser tratado simplesmente como o sofrimento. Deus poderia dar dinheiro aos pobres, saúde aos doentes ou comida para os famintos, e dificilmente alguém iria rejeitar esses presentes. Em contraste, muitos rejeitam a oferta da salvação, e Deus não perdoa o pecado contra a vontade do pecador.
É a vontade de Deus terminar o sofrimento, mas é ainda mais importante acabar com o pecado. O pecado não pode terminar imediatamente, porque Deus projetou que as pessoas fossem salvas de boa vontade. O sofrimento continua no presente como resultado do pecado.
► O que significa dizer que o sofrimento continua na atualidade por causa das prioridades de Deus?
A Permissão de Deus a Vontade Humana
A natureza de Deus não inclui apenas benevolência e onipotência, mas também santidade. Ele deseja que as Suas criaturas não sejam apenas felizes, mas santas, e que a felicidade derive da santidade. Uma vez que o sofrimento humano é um resultado do pecado, o plano de Deus é lidar com o pecado antes de retificar as suas consequências.
[2]O mundo não existe na forma que Deus originalmente projetou. Existiu uma grande calamidade no nosso passado chamada de queda. Essa calamidade foi possível porque Deus, em Sua soberania, escolheu criar o livre arbítrio e permitiu que escolhas genuínas com consequências fossem feitas.
É impossível que existam criaturas livres que sejam incapazes de escolher, assim como é impossível que exista um quadrado redondo. A verdadeira pergunta não é por que existe sofrimento não merecido, mas por que o homem existe. O homem não seria homem, a menos que ele tivesse a liberdade para agir. Esse exercício de livre arbítrio não viola a soberania final de Deus. Deus deseja que o homem tome decisões, mesmo que ele não faça sempre o que Deus gostaria. Um pai que leva o seu filho a um restaurante e deixa que ele escolha o que quiser, pode preferir que o filho tivesse escolhido outra coisa. Pode ser dito que a vontade do pai foi frustrada? Não, porque o pai permitiu que o seu filho escolhesse. É mais importante para o pai que a criança escolha do que ela pedir algo melhor, mas debaixo de coação. A vontade de Deus é que ninguém peque, mas o Seu maior valor aparentemente é que o homem escolha entre pecar ou não.
Deus é seguro o suficiente em Sua soberania e não teme a operação do livre arbítrio. Nenhum rei são sentiria a sua soberania ameaçada por seus súditos escolherem a cor do carpete em suas próprias casas. Em um senso maior, a soberania de Deus não pode ser ameaçada, não apenas por escolhas pessoais, mas por nenhuma escolha que o homem possa fazer.
O propósito de Deus será realizado apesar de qualquer coisa que qualquer criatura possa fazer. O seu propósito final não depende das escolhas humanas. Porém, atos específicos de Deus são respostas aos pecados intencionais do homem; caso contrário, numerosas declarações das Escrituras não teriam sentido. Dizer que Deus não pode permitir um espaço dentro do qual Ele permite o livre arbítrio de alguém, é limitar Deus.
As Escrituras ensinam que Deus intervém em situações particulares como bem Lhe agrada. O livre arbítrio do homem significa que Deus não irá mais parar qualquer uma de suas ações. Prevenir uma ação específica de uma pessoa não tiraria a habilidade dela de escolher entre o certo e errado. Porém, bloquear regularmente todos os cursos das ações erradas ou tirar as consequências delas seria destruir o livre arbítrio.
Deus é capaz de alterar os resultados de qualquer escolha em qualquer momento. Porém, fazer isso sempre tornaria o homem incapaz de escolher, pois saberia que as suas decisões não têm verdadeiras consequências. Fazer isso inesperadamente de vez em quando não tira o significado dessa decisão. Prevenir todo o sofrimento causado pelos abusos do livre arbítrio seria negá-lo, o que Deus não irá fazer. Deus valoriza tanto a existência de criaturas com livre arbítrio, que permitiu a possibilidade de sofrerem.
Deus pode permitir um ato pecaminoso ou uma ocasião de sofrimento, pois aliviá-los imediatamente seria interferir no Seu plano final de restauração. Nesse sentido, todo o pecado e sofrimento pode ser tido como a Sua vontade, embora sejam opostos a ela. Esses eventos não ameaçam a soberania de Deus. Eles tomam lugar no espaço dentro da Sua vontade, onde Ele está permitindo o operar do livre arbítrio dentro de limitações.
Alguns pensadores acreditam que o pecado é essencial no processo de desenvolvimento de uma criatura livre para uma pessoa que livremente escolhe fazer a vontade de Deus. Esse não é o modelo que a Bíblia fornece. De acordo com Gênesis, as primeiras pessoas eram perfeitas, e o pecado não foi o passo errado de uma criatura que não sabia o certo, mas que deliberadamente se rebelou contra Deus. O primeiro pecado não iniciou no homem um processo de desenvolvimento ascendente, mas o afundou em depravação e trouxe maldição sobre toda a criação. A queda deve ser considerada uma tragédia, em nenhuma forma é essencial ao plano de Deus ou benéfica à humanidade. Porém, uma vez que o pecado é o ato de uma livre escolha, o tempo é envolvido na persuasão e decisão das vontades. Nesse sentido, o mundo é agora um lugar onde Deus está desenvolvendo a nossa fé e o nosso caráter. Deus usa a situação existente para levar a Sua criação em direção à recuperação total, mas Ele não precisou do pecado para o Seu plano original.
Opções mutuamente exclusivas existem até mesmo para Deus. Por exemplo, Ele não pode escolher criar e não criar. Portanto, Ele não pode intervir em todos os casos de sofrimento e também permitir o sofrimento para mostrar as consequências do pecado e a necessidade de salvação ao mesmo tempo.
► Como a permissão de Deus em relação à vontade humana torna o sofrimento possível?
[1]É claro, nós devemos ter em mente que não sabemos em que extensão Deus já aliviou o sofrimento do que naturalmente ele seria.
“O homem, portanto, pecou pela sua própria vontade, pelo seu próprio movimento, permitido por Deus…”
- Jacó Armínio, Setenta e nove Debates Privados
O Paradoxo do Sofrimento Como um Mal que Traz Benefícios
O pecado foi contrário à vontade de Deus. O pecado é contrário à vontade de Deus, mesmo o tendo tornado possível pela criação de criaturas livres, permitindo que acontecesse e o usando para trazer algo bom disso. Portanto, tanto o pecado original quanto os pecados cometidos no presente são maus.
Reconhecer que Deus trabalha hoje o Seu propósito parcialmente através do sofrimento não contradiz o fato de que essa não foi a Sua intenção original. Ele não projetou que o sofrimento fosse parte da Sua criação, mas agora Ele usa o sofrimento para ajudar a nos levar de volta ao Seu plano perfeito.
Uma vez que o sofrimento não é bom, estamos certos em tentar evitá-lo. Nós devemos tentar aliviar o sofrimento dos outros. É normal para nós lamentarmos situações de sofrimento, de acordo com as Escrituras. Jesus chorou na tumba de Lázaro, mesmo sabendo que Ele iria ressuscitar Lázaro dos mortos. Mesmo sabendo que a vontade de Deus irá realizar o bem através do sofrimento, nós sofremos por causa disso agora.
Como C.S. Lewis disse,[1] na presente condição do mundo nós observamos:
1. O bem que vem de Deus;
2. O mal produzido pelas criaturas rebeldes;
3. O uso de Deus do mal para o Seu propósito redentor, que produz;
4. O bem que vem parcialmente do sofrimento e do arrependimento do pecado.
[1]Parafraseado de C.S. Lewis, O Problema da Dor. (Thomas Nelson Brasil, 2021.)
As Promessas das Escrituras
Deus parece prometer proteção, provisão e vida longa aos justos, porém o justo sofre. Como podemos entender as promessas bíblicas quando nós as comparamos com as experiências?
A Bíblia reconhece completamente que o sofrimento é real, mesmo para as pessoas justas. O livro de Eclesiastes diz que a justiça nesta vida é uma esperança vã. O livro de Apocalipse diz que o sofrimento e a perseguição são esperados até a volta de Cristo. O livro de Jó demonstra que o sofrimento imerecido pode vir para os justos, e que eles devem estar contentes em confiar em Deus, sem saber os motivos para o sofrimento. Os evangelhos preveem perseguição para os crentes.
Como podem as promessas das Escrituras serem consistentes com o fato de que os justos sofrem? Uma vez que Deus reconhece que o sofrimento irá acontecer para todos, por que Ele fez tal promessa? A maiorias dessas promessas ocorrem nos salmos. Porém, os salmos também reconhecem a realidade do sofrimento e da injustiça. Eles acusam Deus de se esconder (Salmos 10:1) e esquecer dos seus servos (Salmos 13:1) e lamentam o fato de que os homens justos são oprimidos, e os ímpios exaltados (Salmos 12:1, 8).
O fato de que os salmos são poesias pode ser uma pista para entender essas promessas. Muitos dos salmos são orações. O suplicante está derramando os sentimentos do seu coração. Frequentemente, os sentimentos expressados não são consistentes com as ações da pessoa. Por exemplo, Davi orou por um julgamento severo aos seus inimigos, mas ele os tratou com misericórdia e perdão. Da mesma forma, a oração que acusa Deus de injustiça ou negligência são expressões de sentimentos que não devem ser levados como uma declaração verdadeira de que o orador perdeu a sua fé. Frequentemente, o orador fará essas acusações e depois fará uma declaração de fé no mesmo salmo. Os salmos ensinam que nós devemos confiar em Deus mesmo quando não O entendemos.
Para ser consistente com o gênero literário, os salmos que contém promessas devem ser interpretados da mesma maneira. Eles devem ser considerados como expressões de louvor, como testemunhos de que Deus intervém, mas não como uma garantia que não permite exceções.
As promessas da proteção de Deus ocorrem também no Novo Testamento. Em 2 Timóteo 4:18, Paulo disse: “O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino celestial”. Essa declaração poderia ser interpretada como se Paulo esperasse ser protegido de danos físicos, mas ele estava preso naquele momento, e anteriormente na mesma passagem, ele claramente declarou que esperava perder a vida por sua fé. Obviamente, a expectativa de Paulo de libertação e preservação era sobre algo além da proteção física. Parece evidente que Paulo queria dizer que a sua fé iria sobreviver e que a sua alma seria preservada. A preservação espiritual era tão mais importante do que a sobrevivência física que Paulo poderia encarar certos martírios e ainda se sentir protegido por Deus.
Uma declaração semelhante é encontrada em Lucas 21:16-19:
Vocês serão traídos até por pais, irmãos, parentes e amigos, e eles entregarão alguns de vocês à morte. Todos odiarão vocês por causa do meu nome. Contudo, nenhum fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá. É perseverando que vocês obterão a vida.
Essas palavras de Jesus previram tanto a morte quanto a proteção. Obviamente, Jesus está se referindo a uma proteção que é mais essencial do que a proteção física.
Quando uma pessoa sem fé sofre severamente, existe um medo de que alguma coisa essencial sobre ela possa ser destruída. O sofrimento pode parecer como se a alma estivesse sendo esmagada ou despedaçada. Esse medo é quase como o medo da morte. Deus prometeu ao crente que nem a morte nem o sofrimento podem destruí-lo. Ele é preservado no reino de Deus com a vida eterna.
Tarefas da Lição 13
1. Tarefa Escrita: Descreva um momento em que Deus deu conforto ou trouxe bons resultados a partir de um sofrimento na sua vida. Descreva um tempo de sofrimento que você ainda não compreende.
2. Tarefa Escrita: Como você responderia a uma pessoa que diz não acreditar em Deus por causa do sofrimento no mundo?
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