Na Feira Mundial em Chicago em 1893, uma Assembleia de Religiões permitiu que representantes de cada uma das principais religiões mundiais falasse. Palestrantes de cada religião tentaram convencer a audiência de que sua religião era superior às outras.
O último representante era Joseph Cook, um pastor representando a fé cristã. Pouco antes de Joseph falar, um palestrante hindu atacou o cristianismo dizendo que era “a pior de todas as religiões” porque chamava as pessoas de “pecadoras”.
Em vez de atacar as outras religiões, Joseph Cook começou a contar a história de Lady Macbeth da grande obra de Shakespeare. Ele contou como ela - invejosa e ambiciosa - persuadiu seu marido a matar Duncan, o rei, enquanto ele estava em seu castelo como convidado.
Logo, Lady Macbeth foi atormentada pela culpa. Durante o dia, ela era ambiciosa e ousada. Mas à noite, ela andava sonâmbula pelo palácio, repetidamente lavando as suas mãos e exclamando: “Há uma mancha. Estas mãos nunca estarão limpas?”
Joseph Cook perguntou aos outros representantes: “Existe algo na sua religião que possa lavar a culpa e o sangue das mãos da Lady Macbeth?” Ninguém respondeu. Nenhuma religião poderia lavar o sangue das mãos da Lady Macbeth. Então, o Reverendo Cook voltou-se à audiência e concluiu: “O sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, nos lava de todo pecado!”
Nesta lição, veremos que o cristianismo é diferente de todas as outras religiões. A diferença entre o evangelho e as outras religiões é esta: cremos que Deus veio ao nosso mundo na pessoa de Seu Filho, Jesus, para prover uma forma de perdoar os nossos pecados e restaurar-nos à Sua imagem.
Uma pergunta muito comum que os cristãos encontram é: “Não seriam todas as religiões iguais? Elas são apenas caminhos diferentes para o mesmo objetivo. Contanto que você encontre o caminho onde você melhor se encaixa, estará correto”.
► Como você responderia a um hindu que diz: “O cristianismo e o hinduísmo são dois caminhos diferentes para o mesmo objetivo”?
A discussão a seguir nos ajudará a ver melhor o que separa o cristianismo de todas as outras visões de mundo.
Existem cinco crenças principais sobre a existência e a natureza de Deus: ateísmo, panteísmo, panenteísmo, politeísmo e monoteísmo.
O ateísmo ensina que Deus não existe. Ele nega que exista algo além do mundo natural.
O panteísmo ensina que existe um ser divino, mas esse ser não é distinto do universo. O deus panteísta não é um ser pessoal que criou o universo. Ele é um espírito ou uma mente idêntica ao universo. O hinduísmo é um exemplo de religião panteísta.
O panenteísmo ensina que deus é distinto do mundo, mas ele é dependente do mundo para existir. Existe uma codependência entre Deus e o mundo.
O politeísmo ensina que existem muitos deuses. O mormonismo é um exemplo de uma religião politeísta. Porém, a Bíblia ensina que existe apenas um ser divino.
Assim diz o Senhor, o rei de Israel, o seu redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último; além de mim não há Deus.[1]
Antes de mim nenhum deus se formou, nem haverá algum depois de mim.[2]
Nenhuma dessas visões de mundo mencionadas acima proveem um caminho para reconectar o homem a Deus. Essas crenças são contrariadas pela Bíblia e pela evidência científica e filosófica. As evidências que estudamos neste curso apontam para um Deus transcendente, independente, eterno, não físico e inteligente, que criou o universo e interage com a raça humana.
O monoteísmo ensina que existe um ser divino transcendente, eterno e pessoal. As três maiores religiões monoteístas são: judaísmo, islamismo e cristianismo. Essas religiões ensinam que Deus interveio no mundo para trazer nossa salvação.
O judaísmo, fundado por Deus através de Abraão e Moisés, foi cumprido em Cristo. Com exceção dos judeus messiânicos (cristãos), o judaísmo moderno rejeitou Jesus como sendo o cumprimento das profecias messiânicas. O sistema de sacrifícios judaico apontava para Jesus como o sacrifício máximo pelos nossos pecados. Os judeus modernos não têm uma base para o perdão se rejeitam a Jesus. Eles não fazem mais os sacrifícios.
O islã foi fundado durante o século sete em Meca e em Medina. Maomé criou uma falsa religião baseada em perversões do judaísmo e do cristianismo. Existem muitas crenças comuns entre essas religiões, tendo em vista suas raízes comuns, mas desde o seu início, o islã levou pessoas para longe da verdade da divindade de Cristo, sua morte e ressurreição.
O islã não tem uma base adequada sobre o perdão, porque não tem uma expiação substitutiva. No islã, só se pode ser perdoado se as boas ações superarem as más ações. Porém, sabemos que nenhuma quantidade de bondade, mesmo que tivéssemos alguma, poderia prevalecer sobre os nossos pecados contra um Deus infinitamente santo.
Apenas o cristianismo tem um caminho para o perdão dos pecados. Nós necessitávamos de um mediador que fizesse a ponte entre o homem e Deus. O pecado nos alienou de Deus, mas um mediador que era Deus e homem poderia prover a expiação e trazer reconciliação.[3] Sendo Deus, Jesus representou Deus ao homem. Sendo homem, Jesus representou o homem a Deus. Ele era o mediador divino-humano que, através de Sua morte e ressurreição, trouxe Deus para perto do homem.
Jesus precisava ser Deus e homem para realizar o que realizou. Uma morte sacrificial era necessária para expiar o pecado. Apenas sendo humano Jesus poderia morrer, e apenas sendo Deus, Jesus poderia ser uma expiação adequada pelos nossos pecados contra um Deus infinito. Além disso, Jesus precisava ser divino para destruir a morte e o pecado através do poder de Sua ressurreição.
A morte expiatória e a ressurreição de Jesus, o Deus-homem, distinguem o cristianismo de qualquer outra religião. Apenas o cristianismo provê uma maneira para o homem ser perdoado de seus pecados e se reconciliar com Deus, através da fé. Apenas o cristianismo provê uma forma de restaurar o homem à imagem de Deus. Por isso Jesus disse que Ele é o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vai ao pai, a não ser por Ele.[4]
A Doutrina da Trindade É Essencial para a Fé Cristã?
Se Jesus é Deus, isto significa que existe mais de um Deus? Não. A doutrina da trindade ensina que existem três Pessoas em um ser divino chamado Deus. Estas três pessoas são o Pai; Jesus, o Filho; e o Espírito Santo. Existem muitas razões para defender a doutrina da trindade àqueles que se opõem a ela.
A doutrina da trindade (um Deus revelado em três pessoas) é uma característica distinta do cristianismo. Essa doutrina distingue o cristianismo do judaísmo e do islã, as outras duas religiões monoteístas principais.
O islã rejeita a doutrina da trindade, embora os muçulmanos creiam em um Deus transcendente e pessoal. Eles dizem que Deus não pode ter um filho, então rejeitam Jesus como filho de Deus, ou como Deus Filho. Parte do problema é que os muçulmanos pensam que a filiação implica numa paternidade física. Esta não é a doutrina cristã sobre a filiação de Jesus. Não existiu um tempo quando o Filho não era o Filho. Sua filiação não é física; a filiação refere-se a um relacionamento especial que Jesus teve com o Pai por toda a eternidade. Jesus era Filho antes de ser concebido pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria para viver entre nós como humano.
Alguns não cristãos pensam que os cristãos são triteístas.[1] Mas este não é o caso. Os cristãos são monoteístas. Nós cremos que existe um ser divino, mas existem três Pessoas neste ser. Essas três Pessoas compartilham a mesma natureza. Não são deuses distintos.
As Evidências Bíblias sobre a Trindade
Aqui está uma defesa bíblica da doutrina cristã de que existe um Deus o qual se revelou como três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. As premissas a seguir são todas ensinadas na Bíblia. Isto forma a base da doutrina da trindade.
Premissa A: Existe apenas um Deus.
“Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.”[2]
“Eu sou Deus, e não há nenhum outro; eu sou Deus, e não há nenhum como eu.”[3]
Premissa B:Pai, Filho e Espírito Santo são todos identificados nas Escrituras como Deus.
“...aquele que é a Palavra... e era Deus. Aquele que é a Palavra tornou-se carne.”[5]
“... como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo... Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus.”[6]
Premissa C: Os três relacionam-se entre si e com o mundo como Pessoas distintas.
O Pai falou dos céus, dizendo: “Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado”.
Pai, Filho e Espírito Santo não poderiam ser a mesma pessoa; cada um deles está agindo em funções diferentes ao mesmo tempo.
Perto do fim de seu ministério, Jesus disse que pediria ao Pai que enviasse a nós “o Conselheiro” – o Espírito Santo.[8] Existem três pessoas distintas envolvidas nessa demanda.
Conclusão: O único verdadeiro Deus da Bíblia revelou-se em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é um em natureza, mas três em Pessoa.
Embora a palavra trindade não apareça na Bíblia, a doutrina da trindade é baseada em afirmações claras das Escrituras. A Bíblia mostra claramente a existência de três pessoas distintas. Cada umas delas é identificada como o único Deus do universo.
Isso não é uma contradição, uma vez que os cristãos não dizem que Deus é tanto uma pessoa quanto três. Os cristãos não dizem que Deus é um Deus e que também são três deuses. Em vez disso, eles dizem que Deus é um em essência e três em pessoa.
Uma Ilustração da Trindade
O universo é uma das melhores ilustrações da trindade. Todo o universo (uni = um) físico consiste em três, e apenas três, aspectos essenciais: espaço, tempo e matéria. Se você removesse qualquer um dos três, o universo não existiria mais.
O espaço consiste em comprimento, largura e altura – três em um. Se você removesse qualquer uma dessas dimensões, o espaço não existiria mais.
O tempo consiste em passado, presente e futuro – três em um. Se você removesse qualquer um desses aspectos, o tempo não existiria mais.
A matéria consiste em energia em movimento produzindo um fenômeno – três em um. Sem energia, não pode haver movimento nem fenômeno. Sem movimento, não pode haver energia nem fenômeno. Se não existir o fenômeno, é porque não há energia ou movimento.[9]
A ideia de “três em um” é parte da própria natureza do universo. Será que Deus fez o Seu universo para refletir Sua natureza trina? Eu acredito que Deus deixou Sua digital na criação. Assim como o universo existe como espaço, tempo e matéria, o Deus único existe como Pai, Filho e Espírito Santo.
Um Diagrama Tradicional da Trindade
A doutrina bíblica da trindade é ensinada pela igreja desde os apóstolos. À direita está um diagrama que a igreja usa para descrever a trindade.
A doutrina da trindade é essencial à doutrina cristã
Alguns dizem que não é importante crer na doutrina da trindade, mas estão errados. A doutrina da trindade é a base dos ensinamentos essenciais do evangelho. Por exemplo, aqueles que negam a trindade, normalmente negam que Jesus é Deus. Mas se Jesus não é Deus, Sua morte não proveu salvação.
Se negamos que Pai, Filho e Espírito Santo são distintos, negamos as características pessoais e relacionais de Deus. Por exemplo, Deus não seria um Deus amoroso por toda a eternidade, se tivesse que esperar até a criação para amar alguém. Porém, se Deus é mais que uma pessoa, essas Pessoas poderiam amar umas as outras por toda a eternidade.
Pai, Filho e Espírito Santo são Pessoas vivendo em um relacionamento entre si
Pai, Filho e Espírito Santo não são entidades impessoais. Cada um deles possui personalidade e vive em um relacionamento pessoal um com o outro. Chamamos eles de Pessoas, porque vivem em um relacionamento entre si. Cada membro da trindade pode referir-se a si mesmo como “eu” e ao outro membro da trindade como “você”. Embora Pai, Filho e Espírito Santo sejam um Deus único, eles são Pessoas distintas que amam um ao outro, entregam-se um ao outro, comunicam-se entre si e vivem um para o outro. Eles são Pessoas verdadeiras.
A doutrina da trindade afeta a personalidade humana e seus relacionamentos
A trindade é a fonte da nossa personalidade. Deus nos fez à Sua imagem. Assim como a trindade, nós somos capazes de nos relacionarmos com os outros e com Deus. Temos uma mente, uma vontade e emoções que nos dão essa habilidade.
A trindade afeta o modo como nos relacionamos com o outro, assim como nos relacionamos com Deus. Já que os membros da trindade vivem em amor um com o outro, nós também devemos viver em amor uns com os outros. Foi assim que Deus nos fez. Fomos feitos à imagem de Deus. Fomos feitos para amar os outros assim como os membros da trindade se amam.
► Você poderia explicar a doutrina da trindade para um muçulmano que acredita que os cristãos creem em três deuses?
[9]Para mais informações, veja Nathan Wood, Trinity in the Universe (MI: Kregel Publications, 1984).
Como os Cristãos Devem Responder ao Animismo?
Na África, muitos não crentes têm um grande respeito e até medo de espíritos. Essas pessoas frequentemente perguntam aos cristãos: “Por que eu deveria confiar em um Deus que não posso ver, quando minha família já encontrou os espíritos de nossos ancestrais? Vimos o poder deles. Vimos que eles existem. Por que deveríamos adorar um Deus que não podemos ver?”
Se é chamada “animismo” ou “religião tribal” ou “religião tradicional”, esta visão traz um grande desafio para a apologética cristã. Quando você tenta evangelizar animistas, é improvável que eles perguntem: “Qual é a evidência manuscrita da Bíblia?” ou “Qual é o argumento cosmológico para a existência de Deus?”
Uma vez, Randall McElwain perguntou a um grupo de pastores africanos: “Como vocês provam a existência de Deus a um não crente?” Eles riram. “Todos na África são inteligentes o suficiente para saberem que existe um Deus! Apenas americanos e ocidentais são tolos o suficiente para duvidarem da existência de Deus. O nosso povo não pergunta “existe um Deus?” Eles perguntam: “Qual deus é o mais poderoso?”
Como um apologista cristão deve responder em relação ao animismo? Olharemos para quatro perguntas:
1. O que é o animismo?
2. Qual a diferença entre o animismo e o cristianismo?
3. O animismo e o cristianismo podem se misturar?
4. Como podemos comunicar bem o evangelho aos animistas?
O que é o Animismo?
O animismo descreve forças naturais e ancestrais humanos como seres vivos com identidades distintas. Espíritos da natureza habitam em objetos como animais, plantas e pedras. Espíritos ancestrais são membros da família que morreram. Eles são comumente tratados com respeito, como membros honrosos do grupo.
De acordo com a maioria das religiões tribais, esses espíritos são limitados. O poder deles vem do estado não físico em que estão. Frequentemente, são imprevisíveis e podem causar grandes problemas aos humanos. Eles podem operar sem serem vistos, porque não tem um corpo, mas não possuem poder ilimitado. Por causa disso, eles podem ser controlados por feiticeiros ou outras figuras religiosas. Às vezes, eles podem ser controlados através de frases “mágicas” ou talismãs.
Muitas práticas animistas são focadas em acalmar o mundo do espírito. Seja com a queima de dinheiro como uma oferta aos ancestrais ou sacrifícios para os espíritos da natureza, os animistas tentam apaziguar o mundo do espírito.
Qual a Diferença entre o Animismo e o Cristianismo?
Medo ao invés de amor
Talvez a maior diferença entre o animismo e o cristianismo seja o relacionamento entre Deus e homem. No animismo, o relacionamento entre homem e espíritos da natureza ou ancestrais é de medo. Frequentemente, animistas vivem em constante medo do que seus ancestrais podem fazer. Não existe um relacionamento real. O objetivo da maioria dos animistas é de respeitar suficientemente os espíritos para evitar problemas. Ofertas e orações são usadas para satisfazer as demandas dos espíritos. Feiticeiros e xamãs são pagos para controlar o mundo do espírito.
Como contraponto, o cristianismo adora a um Deus que busca um relacionamento de amor com Seu povo. Deus andou no jardim do Éden com Adão e Eva. Deus enviou Seu Filho para viver entre nós e morrer para pagar o preço do nosso pecado. Cristo já acalmou a ira justa de Deus. Nosso pecado provocou a ira dEle, mas Deus proveu uma expiação através do presente, que é Seu Filho unigênito.[1]
Tendo em vista que Jesus já pagou o preço pelo nosso pecado, nosso relacionamento com Deus pode ser de amor, não de medo. Se respondermos a Sua oferta de salvação gratuita, Deus prometeu que passaremos a eternidade em Sua presença. Não precisamos viver com medo. Podemos viver em um relacionamento de amor.
Fatalismo ao invés de esperança
Os animistas veem a morte como uma fonte de terror. Não existe promessa de vida depois da morte. Não existe promessa de reunir-se com a família. Não há esperança de um Deus misericordioso.
Em contraste, os cristãos anseiam pela eternidade na presença de um Deus amoroso. Para o cristão, a vida está se movendo em direção a um futuro de alegria sem fim.
Espíritos distantes ao invés de um Deus pessoal
Outra diferença entre animismo e cristianismo é a ênfase do animismo nos espíritos em vez de em Deus. Mesmo os animistas que reconhecem um Deus supremo dão mais atenção aos espíritos do que a Deus.
Por outro lado, os cristãos devem dar sua atenção a Deus, não ao mundo dos espíritos. A Bíblia testifica sobre a realidade do mundo espiritual. Porém, a Bíblia dá poucos detalhes desse mundo. Ela não nos ensina nada sobre como contatar espíritos (bons ou ruins). Ela não fala nada sobre como usar poder de espíritos para nos ajudar. Por quê? Porque apenas Deus é a fonte do nosso poder e do nosso conhecimento.
O Animismo e o Cristianismo Podem se Misturar?
Alguns cristãos disseram: “Sim, o cristianismo é a religião verdadeira. Porém, podemos misturar a fé cristã com as religiões tradicionais dos animistas”. A mistura do cristianismo verdadeiro com outras religiões é chamada de sincretismo.
Muitas “igrejas independentes” na África associaram a mensagem cristã com uma religião tribal africana. Isso frequentemente começa com uma tentativa sincera de contextualizar o evangelho para os africanos. Alguns pastores africanos reconhecem a falha de muitos missionários ocidentais de comunicarem o evangelho na África sem toda a “bagagem” cultural do ocidente. Esses pastores queriam cristãos africanos cantando canções africanas, vestindo roupas africanas e adorando de uma forma genuinamente africana.
Embora esses esforços começassem com boas intenções, muitas igrejas adaptaram práticas que são contrárias ao evangelho. Neste “cristianismo sincrético”, Deus é distante, assim como os espíritos são distantes. Os ancestrais são vistos como mediadores entre os adoradores e Deus. Existe pouca ênfase na morte expiatória de Cristo. Em vez disso, os pastores enfatizam o poder do mundo espiritual, as curas milagrosas e as interpretações de sonhos.[2]
Se todas as religiões fossem iguais, o sincretismo seria aceitável. Contudo, como vimos antes, existe apenas um caminho até Deus. A humanidade poder ir a Deus apenas através de Jesus Cristo. Todos os outros caminhos são falsos. Eles não levam a Deus. Não podemos seguir um caminho falso e o caminho verdadeiro ao mesmo tempo.
Imagine que eu lhe ofereci um copo com líquido dentro. Eu lhe disse: “Este copo tem duas bebidas misturadas. Uma delas é bem saudável. A outra é um veneno mortal que irá lhe matar. Eu as misturei para que você tenha um pouco de cada uma”. Você tomaria esse líquido? Claro que não! O veneno estragou a bebida saudável.
Da mesma forma, é impossível adorar a Deus e adorar as religiões falsas ao mesmo tempo. Paulo disse: “Vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.”[3]
No Antigo Testamento, algumas pessoas em Israel queriam adorar a Jeová enquanto também adoravam ao falso deus Baal. Elias os questionou: “Até quando vocês vão oscilar para um lado e para o outro? Se o Senhor é Deus, sigam-no; mas, se Baal é Deus, sigam-no”.[4]
Nas nossas doutrinas, nossas práticas de adoração e no nosso estilo de vida, podemos seguir a Cristo ou seguir os falsos deuses. Não podemos fazer ambos.
Como Podemos Melhor Comunicar o Evangelho aos Animistas?
Como o aspecto mais forte do animismo é o medo, os cristãos devem mostrar o poder de Deus sobre o medo. Ao mostrar o amor cristão e cuidadosamente compartilhar as boas novas do evangelho, o cristão pode ajudar o animista a vencer o medo dos espíritos. Até que esse medo seja vencido, muitos animistas serão temerosos em aceitar o evangelho. Os cristãos devem mostrar, através de seu amor pelos vizinhos animistas e através da sua fé confiante em um Deus bom, que o amor de Deus expulsa o medo. João escreveu: “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor”.[5]
Jesus Cristo livra do medo
John Seamands contou a história da tribo Iban na Malásia. Essa tribo animista vivia em medo constante de sonhos, de roedores e de um certo pássaro. Quando um grupo de cristãos chineses foram à Malásia depois da Rebelião dos Boxers, os ibans ficaram maravilhados que os cristãos andavam pela floresta sem medo. Eles perguntaram: “Vocês não têm medo dos espíritos maus?” Os cristãos chineses responderam: “Não! Nosso Deus está vivo. Ele nos ama e é mais poderoso do que qualquer outra força”. Hoje, existem milhares de cristãos ibans. Frequentemente, o primeiro testemunho deles é este: “Jesus Cristo me livrou do medo”.[6]
Uma vez que o evangelho não é limitado ao estilo de vida ocidental, os cristãos não devem pensar que o evangelho é igual à cultura ocidental. No início do século vinte, alguns missionários tentaram estabelecer um “pequeno Reino Unido” em outros países. Pessoas usando ternos ocidentais e gravatas cantavam hinos ocidentais enquanto sentavam-se em bancos em uma igreja de estilo ocidental com uma torre em cima. Nós devemos levar o evangelho de uma forma que efetivamente comunique àqueles que estamos tentando alcançar.
Portanto, uma vez que o sincretismo frequentemente enfraqueceu o evangelho, os cristãos devem comunicar o evangelho de forma clara. Devemos apresentar para os animistas um Deus pessoal que os ama e que deseja ter um relacionamento. Devemos apresentá-los a Jesus Cristo, que morreu para expiar nossos pecados e que ressuscitou dos mortos, vitorioso sobre a morte.
Não devemos substituir a mensagem central da vida de Cristo, da morte expiatória e da ressurreição com tentativas de impressionar animistas com sinais milagrosos e maravilhas, ou técnicas de oração para “forçar” Deus a fazer o que pedimos. Nosso Deus não é um espírito tribal para ser manipulado; Ele é o soberano do universo. Quando ensinamos que Deus pode ser manipulado pelas técnicas de oração e “rituais de fé”, colocamos Ele no nível de um deus tribal. A apologética para os animistas nunca deverá enfraquecer o evangelho com o objetivo de impressionar uma audiência.
Jesus Cristo é mais poderoso do que os espíritos maus
Animistas que estão ouvindo o evangelho pela primeira vez frequentemente irão comparar o poder do Deus do cristianismo com o poder dos espíritos tribais. Uma apologética poderosa para os animistas é a demonstração do poder de Deus. Enquanto não devemos tentar manipular Deus para trabalhar de acordo com o nosso plano, devemos ser sensíveis em permitir que Seu Espírito trabalhe através de nós para demonstrar o Seu poder.
Um missionário nas Filipinas visitou uma menina que foi acometida de uma doença misteriosa. Essa menina era de uma tribo que recentemente havia ouvido o evangelho pela primeira vez. Todos na vila sabiam que a doença da menina era demoníaca. Satanás estava atacando a vila porque o povo tinha respondido à pregação do evangelho.
O missionário disse: “Eu podia sentir o poder do mal”. Ele e os pastores filipinos oraram pela menina no nome de Jesus Cristo. Eles cantaram músicas sobre o poder do nome de Jesus e o poder do Seu sangue derramado. A menina foi instantaneamente liberta. Sua cura foi um grande testemunho para essa tribo animista. Eles viram que Deus era mais poderoso do que os espíritos tribais. Eles não mais temiam os espíritos.
[6]Parte deste material desta seção é adaptado de John T. Seamands, Tell It Well, (Kansas City: Beacon Hill Press, 1981).
E Aqueles que Nunca Ouviram o Evangelho?
A Bíblia ensina que Jesus é o único caminho ao céu. Isto levanta uma difícil questão. E as pessoas que morrem sem terem ouvido o evangelho? Existe alguma esperança para elas? Elas podem ter sido salvas?
Eu acredito que a resposta seja sim. Minha resposta não está baseada em uma resposta bíblica direta, mas em uma série de verdades bíblicas que indiretamente se relacionam com a pergunta. Deus é um Deus justo e amoroso que não deseja que ninguém pereça. Ele proveu a todos um caminho de salvação, e o Espírito Santo está no mundo levando todos a Cristo por vários meios. Creio que se uma pessoa que não tem acesso à Bíblia responder à revelação geral da criação e da consciência, buscando a Deus de todo coração, Deus irá revelar informações suficientes sobre a salvação. Essas informações podem vir através de um missionário, um anjo, sonhos ou uma revelação direta de Deus.
Essa revelação especial pode ser limitada. Não há nenhum ensinamento bíblico que fale que conhecer o conteúdo histórico completo do evangelho seja necessário para atingir a confiança em Deus a fim de obter salvação. A fé que salva pode estar em um entendimento limitado sobre o que é a fé.
O objeto da fé dessa pessoa ainda é Cristo, embora ela possa ainda não saber o nome de Jesus ou a doutrina da trindade. Esse crente pode simplesmente entender que o Deus criador, de alguma forma, proveu uma ponte entre Deus e o homem. Sem a completa revelação do evangelho, essa pessoa que está nessa busca pode colocar sua fé naquele que enviou essa ponte.
Isto não significa que as pessoas podem crer no que quiserem. Por meio da graça de Deus, elas devem renunciar aos falsos deuses a sua volta, reconhecer o seu desamparo e, em fé, buscar ao verdadeiro Deus criador. Quando mais tarde essa pessoa aprender mais sobre Cristo, deverá aceitar a verdade do evangelho. Não poderá negar as doutrinas cristãs básicas.
A doutrina da graça preveniente é importante para essa questão. A graça preveniente é definida como “a graça que vem antes da salvação”. A Bíblia ensina que essa graça é estendida a todos no mundo. Paulo escreveu: “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”.[1] Ela é universal, mas também é resistível.
Se a graça de Deus que traz salvação se manifestou a “todos os homens”, isto implica que Deus proverá uma forma de responder à graça. Se alguém responder à graça preveniente, sem importar quão longe está da influência de um missionário, Deus irá dar mais luz e graça.
Essa graça pode possibilitar que a pessoa exercite sua fé em Jesus. Essa graça é efetiva, mesmo se a pessoa não tiver ouvido a mensagem completa do evangelho ou mesmo se Deus revelar a verdade por meio de anjos ou de sonhos. Deus salvará a todos que buscarem de todo o coração o único e verdadeiro Deus da criação.[2]
Ninguém ficará diante de Deus e, sinceramente, dirá que foi impossível encontrar o Deus verdadeiro e confiar em Jesus. Se não O buscarmos, no julgamento perceberemos que tivemos a oportunidade de buscar ao Deus verdadeiro. Se realmente buscamos a Deus com todo o nosso coração, teremos recebido verdades suficientes para confiar em Cristo para a salvação.
O evangelismo ainda é importante. Embora seja possível que uma pessoa que não conhece o evangelho clame a Deus por misericórdia, ainda é importante que os cristãos ativamente compartilhem o evangelho. Ouvir o evangelho faz com que seja mais provável que alguém responda à verdade. Cristãos que compartilham o evangelho não estão apenas entregando uma mensagem; eles estão falando à consciência dos pecadores. Eles estão tentando motivá-los a entregarem seus corações a Deus.
Tendo em vista que Deus atrai todos para Ele, todos terão uma oportunidade de buscar e encontrar o Deus verdadeiro. A resposta a Deus é facilitada quando os cristãos oram pelos perdidos e ativamente compartilham o evangelho. A doutrina da graça preveniente deve nos inspirar ainda mais ao evangelismo, já que sabemos que Deus está trabalhando em cada coração. Se Deus salva pessoas independentemente do nosso trabalho, quão mais Ele fará se intercedermos pelos perdidos e testemunharmos a eles?
Missionários viram muitos casos em que Deus preparou um povo não evangelizado para receber o evangelho. Eles foram capazes de conectar o evangelho com elementos da cultura do povo. Isso facilitou a compreensão das pessoas e sua resposta ao evangelho. Para ler mais sobre isso, leia os livros de Don Richardson “O Totem da Paz” e “Eternity in Their Hearts” [Eternidade em Seu Coração].
► Quais elementos da sua cultura mostram a graça preveniente de Deus preparando o caminho para o evangelho?
Dr. Lamin Sanneh (1942-2019)[1] foi professor de Missões e Cristianismo Mundial na Universidade de Yale, onde também foi professor de História. Lamin cursou Estudos Árabes e Islâmicos na Inglaterra e em Beirute, Líbano. Ensinou nas universidades de Yale e Harvard.
O Dr. Sanneh foi criado como um muçulmano devotado na Gâmbia. Ele aproveitava a animação do Ramadã e a oportunidade de mostrar sua devoção religiosa nesse período de jejum. Quando jovem, Lamin era um muçulmano muito comprometido, o qual apreciava a disciplina de sua fé islâmica.
Quando lia o Alcorão, Sanneh frequentemente era atraído ao que era dito sobre Jesus. Ele ensina que Jesus era um profeta e um mensageiro de Deus, mas que Jesus não morreu numa cruz. Sanneh ficou interessado pela vida de Jesus. Porém, ele temia que seu interesse o distanciasse do islamismo. Ele orou para que Alá o protegesse do seu interesse por Jesus!
Porém, o interesse de Sanneh ficou ainda mais intenso. Ele não conseguia escapar desta pergunta: “Quem morreu na cruz?” O Alcorão dizia que Jesus não morreu, mas que Deus colocou outra pessoa no lugar de Jesus. Sanneh queria saber: “Quem Deus colocou no lugar de Jesus?” Ele começou a pensar: “Talvez Jesus realmente tenha morrido na cruz. Talvez, Deus tenha permitido isso. Se sim, por que Deus deixou Jesus morrer?”
O Dr. Sanneh começou a pensar sobre sua própria vida. Ele passou por tragédias na sua família. Perguntou: “E se Deus permitiu que Jesus sofresse como parte do nosso mundo? E se Jesus morreu na cruz para derrotar a morte?” Ele começou a perceber que a cruz era necessária como uma forma de Deus entrar no nosso mundo.
Muito tempo depois, Dr. Sanneh recebeu uma cópia da Bíblia. Mas o Espírito de Deus já tinha aberto os seus olhos para a necessidade de um Salvador. Quando recebeu uma cópia da Bíblia, começou a ler Atos e Romanos. Ele aprendeu que Deus não proveu justificação por meio de disciplinas rigorosas, mas pela graça, através da fé. Ele começou a ver que é apenas por meio da graça que podemos ser libertos da nossa incapacidade de agradar a um Deus perfeito.
Professor Sanneh se converteu porque Deus abriu os seus olhos para ver a sua necessidade por um Salvador. Depois, Deus usou Sua palavra para mostrar a Lamin Sanneh o caminho a Deus.
[1]Adaptado de Lamin Sanneh, “Jesus, More Than a Prophet” no livro de Kelly Monroe, Finding God at Harvard: Spiritual Journeys of Christian Thinkers, (MI: Zondervan, 1996).
Tarefas da Lição 9
(1) Apologética e a Cabeça: Faça o teste sobre as questões de revisão da lição 9. Estude cuidadosamente estas questões em preparação para o teste.
(2) Apologética e o Coração: A maior parte do material nesta lição fala sobre questões dos animistas e muçulmanos. Você conhece pessoas dessas religiões? Se sim, apresentar o evangelho a elas é mais do que simplesmente preparar uma lista de perguntas e respostas. Para ser eficaz, nosso testemunho deve ser dado no poder do Espírito Santo. Comece orando para que Deus:
Dê uma oportunidade para compartilhar o evangelho com seu amigo animista ou muçulmano.
Dê unção para compartilhar o evangelho com poder e clareza.
(3) Apologética e as Mãos: Converse com um animista ou com um muçulmano. Se estiver falando com um animista, mostre como o perfeito amor de Deus expulsa o medo. Se estiver falando com um muçulmano, mostre como Deus é três em um.
Teste da Lição 9
(1) Quais são as cinco crenças principais sobre a existência e a natureza de Deus? Defina cada uma.
(2) Qual é a diferença entre o cristianismo e as outras crenças principais?
(3) Quais são as três premissas e a conclusão que mostram a evidência bíblica da doutrina da trindade?
(4) Quais são os três aspectos do universo que ilustram a doutrina da trindade?
(5) Defina o animismo. Qual é a maior diferença entre o animismo e o cristianismo?
(6) Defina o sincretismo. Por que o sincretismo não é aceito pelos cristãos?
Lesson 9:A Singularidade do Cristianismo em um Mundo de Religiões
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